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ESCRITORZINHO, É A...
ESCRITORZINHO, É A... A música Fotografia 3×4 , de Belchior, começa assim: “Eu me lembro muito bem do dia que cheguei...”. Eu não me lembro do dia que cheguei. Lembro de quando cheguei. E das risadas das pessoas que olhavam pra mim. Jovem, descendo do Norte, os pés calçados nas alpercatas de couro, tendo que ouvir o coro de risadas dos paulistas, que achavam aquela arte do mestre Melquíades uma aberração. E eu sem argumentos para me defender. Aliás, quando tentava me defen
cordeiropoeta
13 de mar.2 min de leitura
PREFÁCIO
PREFÁCIO: A História que o Giz não Risca Por: Um Observador da Alma Brasileira Existe um Brasil que não cabe nos mapas de papel couché dos livros escolares. Existe uma verdade que os exames nacionais não conseguem medir: a verdade do suor, da sede e da distância. O que você está prestes a ler não é apenas uma coletânea de crônicas. É um documento de resistência. Enquanto as instituições educacionais silenciam clássicos como O Quinze ou Vidas Secas, relegando a história d
cordeiropoeta
27 de fev.2 min de leitura
FUNIL
FUNIL Hoje, ao abrir o armário do banheiro, vi que só tinha um sabonete e o alerta foi ligado: hora de ir ao supermercado fazer compras. Enquanto isso está sendo possível. Aí você pergunta: por que você está falando isso? Eu lhe digo, é porque estou assustado! É porque o temor está tomando conta da gente. Hoje, pessoas se aglomeram na “fila do osso”, trabalhadores madrugam nas filas, em busca de uma vaga de emprego, como nos velhos tempos. Quando poucos tinham emprego, quan
cordeiropoeta
27 de fev.3 min de leitura
NORDESTE JÁ
NORDESTE JÁ No meu Urubu, zona rural da minha ITIÚBA, na minha infância, aquele cidadão humilde, de poucos recursos, que pra alimentar os filhos, com a escassez de comida, se valia da caça era criticado pelo meu avô, o mestre RAIMUNDO SOUZA, que preconceituosamente dizia: fulano só fede a caça (Naquela época, talvez existisse a lei de proteção aos animais, mas poucos tinham conhecimento. Principalmente na zona rural, onde quase ninguém tinha acesso à notícia.)! Eu apoiava,
cordeiropoeta
27 de fev.2 min de leitura


MISSÃO COMPRIDA, OU UMA HOMENAGEM A MESTRE SANTO
MISSÃO COMPRIDA, OU UMA HOMENAGEM A MESTRE SANTO Este cidadão que aparece nesta foto, é Silvestre Dias do Nascimento (MESTRE SANTO que DEUS já levou). Uma vez este cidadão, me chamou no oitão da casa e me disse: vá embora deste lugar! Você é um rapaz esperto, tem facilidade em aprender, tem futuro. Nosso conhecimento aqui é limitado e se você quiser saber mais, aprender mais, tem que ir para onde as pessoas saibam mais que você. E não menos! Eu vim! Vim parar aqui, onde quase
cordeiropoeta
27 de fev.2 min de leitura
OS CARBONÁRIOS
Na minha ITIÚBA, lá no meu Urubu e região todo mundo falava, que o menino do RAIMUNDO (No caso eu, o neto do MESTRE RAIMUNDO SOUZA), era sabido. Alarme falso. Sabia ler, escrever, algumas operações de aritmética, quantos ossos tinha o corpo humano, o nome de alguns filósofos gregos, quem descobriu o Brasil... mas não sabia que o Brasil estava coberto por um regime ditatorial, que eu estava crescendo sobre uma ditadura. Melhor, eu nem sabia o que era ditadura, o que era regime
cordeiropoeta
19 de nov. de 20252 min de leitura
CRÔNICA PARA O PADRE TICÃO OU CARECENTES 03
CRÔNICA PARA O PADRE TICÃO Hoje eu quero falar das coisas que não tive na infância: um pai, uma mãe, uma bicicleta... Tive muitos irmãos (de pais diferentes), que não sei onde vivem (se vivem!), nem eles sabem se ainda estou vivo, onde moro, mesmo porque eu não tenho morada. Não tive escola, digo nunca frequentei uma escola, o que sei aprendi aqui na rua, onde passo o tempo aprendendo. E aqui aprendi que a vida não é uma droga, como muitos pensam e se afundam no vício, nas
cordeiropoeta
19 de nov. de 20252 min de leitura
SONHEI? NÃO SEI!
Li, não sei onde Que, não sei quem Não sei quando Leu meu poema Qual? Não sei. Mas... Gostou! Sonhei? Não sei! S. Paulo, 07/10/2025 www.cordeiropoeta.com.br
cordeiropoeta
4 de nov. de 20251 min de leitura
OS CARBONÁRIOS
Na minha ITIÚBA, lá no meu Urubu e região todo mundo falava, que o menino do RAIMUNDO (No caso eu, o neto do MESTRE RAIMUNDO SOUZA), era sabido. Alarme falso. Sabia ler, escrever, algumas operações de aritmética, quantos ossos tinha o corpo humano, o nome de alguns filósofos gregos, quem descobriu o Brasil... mas não sabia que o Brasil estava coberto por um regime ditatorial, que eu estava crescendo sobre uma ditadura. Melhor eu nem sabia o que era ditadura, o que era regime,
cordeiropoeta
4 de nov. de 20252 min de leitura
O PULSO AINDA PULSA
Nos meus vinte e poucos anos, contava os passos do lugar que estava até minha casa, pra me certificar se podia ir a pé, depois contava os passes que era preciso (nessa época, não tinha cartão de transporte, era passe, ou dinheiro), para pagar uma dose de cachaça, um espetinho de churrasco e uma latinha de cerveja (da mais barata). Beirando os 50, pagava às vezes até mais de 50 contos, pra numa churrascaria, comer carne à vontade. Mas não ficava à vontade, porque baixava a pre
cordeiropoeta
4 de nov. de 20251 min de leitura


PRIMEIRO GOLE
Certa vez, eu ainda era cervejólatra, fui tomar uma cerveja com uma amiga, e no primeiro gole (Não aquele bar de Livramento de Nossa Senhora), como sempre faço, fiz aquele bochecho, típico de sommelier e ela falou: ETA, que o CORDEIRO, faz é lavar a boca com cerveja! Ao que eu respondi, claro! A minha boca feita por seu ADONIAS e D. BERNARDINA, foi projetada pra ser lavada com cerveja. Mas tem dias que falta grana, noutros falta tempo, aí sou obrigado a usar água. Mas tem que
cordeiropoeta
4 de nov. de 20251 min de leitura


CARECENTES
Dá um dinheiro, moço Quero comprar um pouco de sol E no inverno custa tão caro Minhas economias são escassas Além do mais quero umas estrelas Que eu vi em promoção Dá moço, um trocado! Qualquer quantia serve Desde que dê pra comprar um sorriso E talvez um carinho de troco Eu sei que é pedir muito, até entendo Me contento então com seu sorriso O calor de sua mão como carinho Me aquecerá! Quanto às estrelas... depois desse gesto Certamente brilharão. Dá moço! S. Paulo,
cordeiropoeta
3 de nov. de 20251 min de leitura


EPITÁFIO
EPITÁFIO Eu morri minha neta. Morri e nem vi O último capítulo da novela. Nem escrevi Aquele poema. Aquele que seria o último E que seria a minha obra prima Ah, fale aí pra minha prima, pra ela E para os outros que forem ao meu velório Que não chorem meu adeus, pois eu Só estou indo pra perto de DEUS. Onde um dia Ela estará. Ela, você e todos os meus E você minha neta, foi o meu maior bem O bem, que me prendeu à vida, que não Deixou os últimos dias da minha vida Serem sinis
cordeiropoeta
3 de nov. de 20251 min de leitura


OVOS MEXIDOS
OVOS MEXIDOS Eu tinha entre 09 e 10 anos. E um dia, numa época de vacas magras, quando não se tinha mistura nas refeições, estava vindo da SERRA DOS MACACOS, faminto e não queria comer só feijão com farinha. Lembrei que D. Maria do Jovino, de vez em quando me dava um ovo, para a mistura do almoço. E descaradamente, pedi a ela um ovo, mas justamente nesse dia, o comprador já havia passado por lá e levado tudo. Desolado fui embora. Ao chegar em casa, nem a D. Maria Isabel, a vo
cordeiropoeta
23 de out. de 20252 min de leitura


ESTAÇÃO DA SAUDADE
Às vezes a minha vontade é de me deixar Aqui nesta estação, aguardando o último trem Sem pressa de chegar em casa Pois minha casa sem você Eu preferia que não existisse Porque é triste chegar lá E não ter seu sorriso me esperando no portão Ah minha paixão, teu abraço no meio da noite Era o energético, para que no outro dia Sem enfado, eu enfrentasse o trem lotado O chefe mal humorado... tudo que não era Do meu agrado. Também não precisava Agradar a minha vaidade Mas hoje, nem
cordeiropoeta
23 de out. de 20251 min de leitura


EDUCAR, EM VEZ DE EXECUTAR
Velho livro, velho amigo Hoje, a lida contigo, está difícil Nem te folhear, eu consigo Ler então... e justo hoje, dia do poeta Pois tá triste de mais sem meu sobrinho Que a "DONA JUSTA" matou Mas, DONA de que? JUSTA, em quê? DONA das suas armas: a violência! JUSTA, a seu modo, o modo mais fácil: Executar, em vez de educar! Só que isso, não consta nos livros Em nenhum! Talvez por isso Sou tão teu amigo! S. Paulo, 04/10/2018 www.cordeiropoeta.com.br
cordeiropoeta
23 de out. de 20251 min de leitura


J D N (JUST DEPRESSED NARRATION)
Direi do amor, apenas que nunca tive Mas que tive tudo pra tê-lo Porém o meu pai Não morria de amores pelo pai dela E o pai dela queria me ver morto Eu nada sabia do amor (Ainda não sei) E no amor como se sabe, tem que ser sabido E assim, como num conto de fadas, às avessas Às vésperas de sermos felizes para sempre Para sempre ela fechou os olhos Eu fechei meus olhos e o coração Os olhos, de vez em quando, ainda abro O coração? Ela levou a chave S. Paulo, 24/01/200 www.cordei
cordeiropoeta
20 de out. de 20251 min de leitura


CONTAGEM DAS NOTAS
Acontece cada uma com assalariado. Num final de mês, um calor daqueles, eu CERVEJÓLATRA que sou, sedento, estava louco pra tomar uma cerveja. Sem um centavo no bolso e nos bares onde tinha crédito, onde comprava fiado, o limite estava estourado, o que me restava era DEZ CONTOS, NA CONTA. DEZ PAUS, era o que tinha de saldo no banco. Aí, foi aquela peregrinação para encontrar um caixa eletrônico que dispusesse de cédulas de DEZ PAUS e isso, aumentava mais e mais a minha sede e
cordeiropoeta
20 de out. de 20251 min de leitura


QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ
(POEMA PRA ROSE) A moça aí do pôster Já foi minha namorada Só que, não era ainda tão bonita Nem famosa. Também Não se chamava Clara Calava-se quando eu ria Da sua futura notoriedade Fui ficando desassossegado e só Ao saber que cada passo que Aproximava ela da fama, tinha poder De afastá-la de mim. Mais e mais Mas hoje, de bem com a saudade Saúdo-a no retrato e refaço minha vida Escrevendo versos. Que vem, de longe Salvar-me da senilidade S. Paulo, 30/01/1998
cordeiropoeta
20 de out. de 20251 min de leitura


"REDE RASGADA"
A boca que cala, quando devia dizer: Cala a boca! Não foi sempre assim Já foi mais agressiva Em ITIÚBA, quando eu tinha na garganta Uma rede pedindo pra ser rasgada Não sofria essa dor, essa tensão Que tenho agora, que às vezes Trava os músculos. Agora "engulo cada sapo" Passo cada constrangimento Que só aguento porque sou sertanejo Logo, e "acima de tudo, um forte" Hoje, “bufando”, afundado nessa rede Com o fundo quase rasgado Me engasgo no veneno da vontade De mandar tanta
cordeiropoeta
20 de out. de 20251 min de leitura




Costuro palavras
Remendo versos
Arremedo poetas...
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